
O cálculo mental é uma das diferentes maneiras de calcular, onde recorremos a procedimentos confiáveis para a resolução de diferentes situações, segundo os Parâmetros Curriculares de Matemática.
Usa-se estratégias para chegar ao resultado, ou seja, não é apenas fazer uma conta rápida de cabeça.
É importante trabalhar cálculo mental com os alunos desde cedo, mas geralmente eles não são utilizados porque as escolas dão mais importância aos cálculos feitos com anotações escritas.
Benefícios: O cálculo mental ajuda a desenvolver a concentração, memória, atenção entre outras habilidades.
Os alunos conduzidos para o cálculo mental não somente calculam melhor como também reconhecem mais as operações a efetuar e cometem menos erros de cálculo.
Dizem também que calculo mental é cálculo decorado, mas já desmitificamos isto, pois não basta reter informações, tem de colocá-las em ação diante de situações-problema e para isso é preciso a compreensão de regras que são necessárias para o sucesso neste cálculo.
É preciso que o processo de aquisição dessa situação passe pela construção e organização de fatos fundamentais de uma dada operação, antes de atingir a memorização, podemos então chamá-la de memorização compreensiva.
O cálculo mental é a forma mais complexa da matemática, pois envolve agilidade na hora de resolver os problemas matemáticos. Muitas vezes, o aluno responde as contas da lousa rapidamente, usando a mente para resolvê-las.
Este é o maior objetivo: estimular os alunos a usarem a mente, assim eles serão capazes de resolver os problemas matemáticos rapidamente usando o raciocínio.
Desenvolvendo o cálculo mental
O calculo mental facilita muito a aprendizagem, mas o seu desenvolvimento em sala de aula é algo que requer um bom método e persistência, não é nada fácil.
Segundo Taton (1969), o ensino do cálculo mental sem método é quase que inútil. Na sua perspectiva, o cálculo mental complementa o cálculo escrito e deve ser ensinado com métodos e com regularidade, com várias lições, mas rápidas, não devem durar mais de 10 minutos para manter a aptidão dos cálculos e evitar o cansaço devido a atenção prolongada que se faz necessária neste caso.
Já para Bourdenet (2007), trabalhar bastante cálculo mental permite ao aluno ser mais flexível na mudança de registo dos números.
Exemplo, na operação
25×0.25
considerar 1/4 em vez de 0.25.
Diz também que utilizando calculo mental em sala de aula comparam-se procedimentos, , pensa-se, reflete-se, conjectura-se, analisam- se os erros, desenvolve-se o sentido crítico e promove-se intenso debate, essencial para estabelecer de conexões entre aprendizagens matemáticas. É importante discutir o calculo e o erro com toda a turma como forma de aprendizagem, pois repetir a correção e contemplar diferentes resoluções possíveis resulta em uma aprendizagem mais sólida de certos saberes e permite uma melhora nos conhecimentos que são revistos e repensados.
Segundo dados do Programa de Matemática da França, Bourdenet (2007) diz que os alunos quando efectuam cálculo mental devem, por exemplo:
1- usar aprendizagens adquiridas com números inteiros para transpor para os números decimais;
2- usar a propriedade associativa e distributiva;
3- usar a relação entre as operações inversas;
4- trabalhar com números decimais e fazer a ligação com a representação em fracção (pois isso permite consolidar o trabalho com estes números e dar sentido à utilização dos números decimais);
5- passar de decimais a fracções;
6- completar fracções, podendo escrever sete em quartos ou cinco em terços ou ainda;
7- transformar decimais em fracções, ou usar o produto de dois inteiros em vez de decimais e dividir por 100.
2- usar a propriedade associativa e distributiva;
3- usar a relação entre as operações inversas;
4- trabalhar com números decimais e fazer a ligação com a representação em fracção (pois isso permite consolidar o trabalho com estes números e dar sentido à utilização dos números decimais);
5- passar de decimais a fracções;
6- completar fracções, podendo escrever sete em quartos ou cinco em terços ou ainda;
7- transformar decimais em fracções, ou usar o produto de dois inteiros em vez de decimais e dividir por 100.
Enquanto Taton (1969) valoriza a aprendizagem regular e metódica do cálculo mental para a melhoraria do trabalho com as quatro operações, Bourdenet (2007) valoriza o desenvolvimento de outras capacidades como a comunicação, o ser crítico, o analisar, o pensar, enfatizando igualmente os benefícios para o estabelecimento de conexões e real aprendizagem.
Como utilizar o cálculo mental na sala de aula
O cálculo mental deve ser utilizado em sala de aula todos os dias. Resolver cinco cálculos em cada início de aula em 5 minutos cada é o bastante para, de forma sistemática, levar os alunos a compreenderem estratégias de cálculo. Parece até tempo perdido, mas mais tarde vemos que vale a pena, pois muitas noções são consolidadas devido à discussão do erro a de estratégias de cálculo que eles usam.
É preciso dedicar um momento certo na aula para desenvolver as estratégias de calculo mental, e o professor tem um papel muito importante em sua integração, na resolução de problemas e em momentos onde este se torna mais rápido que o cálculo pelo algoritmo usual ou possa auxiliar os alunos na critica a um resultado ou num cálculo aproximado.
No conjunto dos números racionais não negativos, o desenvolvimento de estratégias de cálculo mental pode ser melhor para a compreensão destes números, facilitando a sua utilização em contextos diversos.