quinta-feira, 14 de março de 2013

Quais as intervenções que o professor deve fazer ao iniciar a construção do conceito de número na educação infantil.


No desenvolvimento cognitivo, nota-se a existência de estágios. Compreendendo o desenvolvimento cognitivo do aprendiz pode-se evitar o seguinte:

1) Ensinar a criança antes que ela esteja pronta para aprender; 
2) Deixar de ensinar algo no período apropriado, no momento em que a criança estaria pronta para assimilar tal tarefa.

Jean Piaget, psicólogo suíço, além de explicar o desenvolvimento cognitivo, investigou como se processa a construção do conceito de número pela criança. 
Piaget propôs que o desenvolvimento cognitivo se processa em quatro estágios: 
Sensório- motor (0 – 2 anos); 
Pré-operacional (2- 6 anos);
Operações concretas (7- 11 anos); 
Operações formais (12 anos em diante). 

Isso significa dizer que a inteligência se modifica com o passar do tempo. Destacaremos apenas os dois primeiros períodos, por ser neles que as crianças constroem o conceito de número.
No período Sensório-motor a atividade intelectual é de natureza sensorial e motora, onde a criança percebe o ambiente e age sobre ele. Esse momento corresponde ao período pré-numérico, pré-operacional, ou melhor, puramente intuitivo, a criança só percebe os fatos através dos SENTIDOS, à medida que ela manipula os objetos.
Já o segundo estágio, pré-operacional ou de inteligência intuitiva, a criança passa a desenvolver a capacidade simbólica. Ela começa a usar SÍMBOLOS mentais - imagens ou palavras - que representam objetos que não estão presentes, o que lhe possibilita fazer classificações. O número também é uma relação criada mentalmente por cada indivíduo. Neste período, a criança classifica ao separar ou agrupar objetos por suas semelhanças e diferenças, fixando desse modo, relações das coisas do ambiente que o rodeia.
Segundo Piaget, os conhecimentos necessários para se construir o conceito de números, são os seguintes:

Conhecimento físico - conhecimento de propriedades físicas que estão nos objetos na realidade externa, tais como: peso, tamanho, cor, forma, características essas que podem ser notadas a partir da observação direta de que um objeto;

Conhecimento social - conhecimento relacionado às convenções estabelecidas pelas pessoas, de forma arbitrária e que são socialmente transmitidas, de geração em geração, tais como: as datas comemorativas, o nome dado as coisas e objetos.

Conhecimento lógico-matemático -  conhecimento que se diferencia dos outros por não poder ser ensinado e só estruturado pela ação reflexiva a partir da manipulação dos objetos. Desse modo, vai além da percepção dos objetos, pois permite que uma pessoa estabeleça relações mentais entre eles, tais como: a comparação, a correspondência, a conservação, a classificação, a inclusão hierárquica, a sequenciação e seriação.

O número faz parte do conhecimento matemático. Faz-se necessário que a criança pegue, junte, separe, aperte, amasse objetos a fim de chegar aos conceitos e ações próprias do conhecimento-matemático. Manipulando objetos serão trabalhados os setes esquemas mentais básicos para aprendizagem matemática: classificação, comparação, conservação, correspondência, inclusão, sequenciação e seriação (ou ).

COMPARAÇÃO - determinados objetos é analisá-los estabelecendo diferenças ou semelhanças entre eles quanto à cor, forma, tamanho, espessura, etc. Esse processo mental é importante, pois estabelecendo diferenças e semelhanças.


 CLASSIFICAÇÃO - separar objetos, pessoas e ideias em categorias de acordo com características         percebidas por meio de semelhanças ou diferenças. A classificação deve ocorrer de maneira espontânea. Não há resposta correta ou errada, todas estarão corretas segundo a lógica quem está classificando.


CONSERVAÇÃO - percebe que a quantidade não depende da arrumação, forma ou posição dos objetos. De modo geral, as crianças só estabelecem essa relação no período das operações concretas.


CORRESPONDÊNCIA - cada elemento do primeiro conjunto deverá corresponder a apenas um elemento do segundo conjunto.


INCLUSÃO - quantificar os objetos como um grupo. Ao contar, ela nos apontará um número para representar todo o grupo e não apenas o último elemento.

SERIAÇÃO (papel fundamental na construção de conhecimento matemático) - instrumento intelectual que permite ao indivíduo organizar mentalmente a realidade que o cerca. Para seriar é necessário que se estabeleça e ordene as diferenças existentes entre os objetos, se faz uma ordenação crescente ou decrescente de determinadas características dos objetos tais como: peso, tamanho, espessura, cor e sabor. A seriação é um instrumento do conhecimento, porque implica que se análise as características dos objetos e se estabeleça relações entre eles, assim ampliando seu conhecimento.


SEQUÊNCIAR - fazer suceder, a cada elemento, outro, sem levar em conta a ordem linear de grandeza desses elementos. A sequenciação é de fundamental importância para que se desenvolva o conceito de número, pois, na escrita dos numerais, a criança passa a perceber que o numeral 12 é diferente do numeral 21, por exemplo, embora esses sejam formados pelos mesmos algarismos. São diferentes porque procedem da sequenciação em que os algarismos aparecem.


Vale ressaltar que se o professor não trabalhar essas relações pertencentes ao conhecimento lógico-matemático, as crianças terão grandes dificuldades para aprender número e contagem.



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